Guiné-Bissau em uma encruzilhada: Igreja pede calma e oração após golpe de Estado.

A Guiné-Bissau está entrando em um período de grande incerteza política após os militares tomarem o controle do governo esta semana, suspenderem o processo eleitoral e instalarem um presidente de transição. A capital, Bissau, tem sido marcada por bloqueios de estradas, mercados fechados e uma atmosfera de tensão, deixando as comunidades apreensivas enquanto enfrentam mais um momento de instabilidade nacional.

No centro desta crise em curso, o Bispo Bobó Gomes Có — presidente da Aliança das Igrejas da Guiné-Bissau e da Região Noroeste da AEA — fez um apelo urgente à família evangélica africana em geral por oração constante e solidariedade. Em sua mensagem aos líderes da Aliança Evangélica Nacional, ele descreveu a situação que se deteriora rapidamente, incluindo restrições de circulação e interrupções em serviços essenciais. “Neste momento, os veículos estão impedidos de circular e há bloqueios nas estradas que levam ao centro da cidade.” O bispo acrescentou que muitas lojas e barracas de mercado permanecem fechadas, embora os fiéis ainda encontrem maneiras de se apoiar mutuamente por meio de atos de generosidade e compartilhamento de recursos. Ele observou que as redes de internet estavam em grande parte fora do ar, aprofundando a sensação de isolamento, mas afirmou que “a situação não está boa, mas não corremos perigo”. O Bispo Bobó exortou a igreja a continuar orando por intervenção divina e para que essa farsa termine, clamando pela proteção de Deus sobre a nação nesta hora frágil.

Entretanto, o cenário político continua a mudar rapidamente. O exército empossou o general Horta N'Tam como presidente de transição por um mandato de um ano, apenas um dia antes de as autoridades eleitorais publicarem os resultados provisórios das eleições presidenciais e parlamentares. Tanto o presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, quanto o candidato da oposição, Fernando Dias, reivindicaram a vitória na votação do último domingo, aumentando a incerteza antes de os militares interromperem completamente o processo. Diversas figuras políticas, incluindo Dias, o ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira e o ministro do Interior, Botché Candé, teriam sido detidas durante a tomada do poder.

Segundo fontes de notícias confiáveis, na noite de quinta-feira, Embaló foi libertado por oficiais militares e levado para o Senegal em um avião militar fretado, após esforços diplomáticos da CEDEAO. As autoridades senegalesas confirmaram sua chegada, descrevendo-o como "são e salvo". Em Bissau, soldados continuam patrulhando as ruas, embora as fronteiras, que foram abruptamente fechadas durante o golpe, já tenham sido reabertas.

Organismos regionais e internacionais — incluindo a CEDEAO, a União Africana e as Nações Unidas — condenaram as ações do exército e apelaram ao rápido retorno ao regime constitucional. A Guiné-Bissau, há muito afetada pela instabilidade política e pela forte influência militar, já sofreu pelo menos nove golpes de Estado ou tentativas de golpe desde a sua independência, em 1974.

Neste momento de angústia nacional, a voz da Igreja na Guiné-Bissau permanece clara: convocando a comunidade cristã global à oração, à intercessão e à esperança de paz, justiça e restauração do processo democrático. O Bispo Bobó exortou a Igreja a se levantar e orar pela libertação de todos os presos políticos e pela publicação dos resultados das eleições, a fim de garantir a estabilidade e a paz. “O Senhor tem falado por meio de seus servos sobre um abalo iminente. Orem por misericórdia no lugar do julgamento e para que as orações pela paz sejam atendidas”, concluiu o bispo. A Igreja na Guiné-Bissau pede suas orações para que todo plano de desestabilização de uma nação já fragilizada seja paralisado em nome de Jesus.